Irlanda – IV

O Estado Livre e a partilha da Irlanda

Exaustos pela Grande Guerra e com novo governo liderado por Lloyd George, os ingleses resolveram negociar uma solução definitiva. Michael Collins e Arthur Griffith foram enviados a Londres para assinarem um acordo: o Tratado Anglo-Irlandês de 6 de dezembro de 1921. Acertou-se que a Irlanda teria uma independência parcial desde que aceitasse que as 6 provincias do antigo condado de Ulster, majoritariamente protestante, continuassem ligadas à Inglaterra. A Irlanda viu-se dividida em duas. Seus ¾ povoados por católicos formariam o Irish Free State, o Estado Livre da Irlanda, ainda dentro do Dominio Britânico, enquanto que os protestantes estariam ao abrigo na Irlanda do Norte, ligada ao Reino Unido.

Michael Collins fez com que o tratado, sob amplos protestos, fosse aprovado pelo Dáil Eirean, o parlamento dos irlandeses. De Valera, inconformado, rebelou-se contra o seu antigo camarada, mobilizando seus partidários, os irregulares, tomando de assalto vários pontos de Dublin. A infeliz Irlanda, que recém conquistara a autonomia, mergulhou numa guerra civil. O enfrentamentode Collins e De Valera estendeu-se por dez meses – de abril de 1922 a maio de 1923 -, até que os regulares de Collins, o Exército Republicano, asseguraram a vitória.

A idéia de Collins, que logo foi morto numa emboscada em Beal na Mblath no dia 22 de agosto de 1922, era que devia-se aceitar o acordo com os ingleses como primeiro passo para a total independência, “ter a liberdade para alcançar a liberdade”. O que de fato se concretizou na Constituição de 1937, com a República do Eire . A Irlanda somente rompeu definitivamente seus laços com o Commonwealth, a Comunidade Britânica, em 1949. A questão da Irlanda do Norte tornou-se desde então, desde 1921, um espinho na garganta dos republicanos irlandeses.

Do Movimento pelos Direitos Civis à ação armada

“Are the men that God made mad./ For all their wars are merry,/ And all their songs are sad.” (Eles são os homens que Deus enloqueceu/ Alegres estão para as guerras/ E todas as suas canções são tristes) – G.K.Chesterton – “For the Gaels of Ireland”

Inspirando-se nos ativistas americanos, os católicos organizaram várias marchas de protesto pelo país. Dois acontecimentos fizeram história. No dia 1ª de janeiro de 1969 uma dessas marchas, a de Belfast a Londonderry, foi violentamente atacada pela multidão protestante. Três anos depois foi a vez das tropas britânicas – que haviam sido recebidas com alivio pelos católicos perseguidos -, envolverem-se numa chacina. Pára-quedistas abriram fogo contra uma passeata pacifica e desarmada em Bogside, no Derry, em 30 de janeiro de 1972, matando 13 católicos e ferindo centenas deles, no incidente também chamado de Bloody Sanday. E isto que os soldados britânicos haviam desembarcado lá, desde a generalização dos distúrbios de 1968-9, como pacificadores.

Para os católicos foi uma desilusão. A antiga aliança entre o Exército Inglês e os Protestantes do Ulster formara-se novamente. Neste quadro adverso pensaram que somente a guerrilha urbana e o terrorismo poderiam levar vantagem. O IRA renasceu, denominado Provisional IRA, e desde então que a Irlanda do Norte não teve mais paz.

Os Unionistas protestantes, por seu lado, apoiaram a formação dos Dead Squadrons, os esquadrões da morte, grupos paramilitares que atacavam e matavam ativistas dos Direitos Civis e militantes do IRA. A cada ato violento vinha outro em resposta. A economia da Irlanda do Norte estagnou e depois declinou. O aumento geral das dificuldades acirrou ainda mais ódio entre os dois grupos.

O IRA decidiu-se por ampliar seu raio de ataque. Passou a explodir bombas na Inglaterra e a assassinar personagens eminentes do establishment britânico, como o atentado que vitimou Lord Mountbatten, um herói de guerra, morto em 1979. Todas as tentativas de apaziguamento feitas nestes 30 anos fracassaram. Apesar da assinatura de uma trégua geral em 1994, entre os Unionistas, o representante do Sinn Féin e do governo britânico, foram incontáveis as infrações cometidas por ambos os lados.

Com a eleição de um ministro trabalhista Tony Blair, que sucedeu um governo conservador, que estava 18 anos no poder, voltaram as esperanças de paz. Desta vez buscou-se um amplo apoio popular recorrendo-se a um referendo onde 70% da população norte-irlandesa, católicos e protestantes, votou a favor da paz imediata.

Terra Educação

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