Karadzic: Sérvios Fizeram uma Guerra Santa

DN

Radovan Karadzic vestiu-se de fato e gravata e foi a tribunal dizer que os sérvios não fizeram nenhuma limpeza étnica e limitaram-se a defender-se dos ataques dos muçulmanos durante a guerra na Bósnia-Herzegovina, no período entre 1992 e 1995.

Tudo o que os sérvios fizeram foi em legítima defesa e tudo isso foi tratado como um crime. Eu defenderei a nossa nação e a sua causa, que é justa e santa, conseguindo dessa maneira defender-me“, disse ontem, citado pela AFP, o ex–líder político dos sérvios bósnios.

Assegurando a sua defesa, numa altura em que recusa reconhecer o advogado atribuído pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Jugoslávia, em Haia, Karadzic acrescentou que os sérvios “não tinham qualquer intenção de expulsar muçulmanos e croatas, apenas procuraram proteger os seus bens e os seus territórios”.

Karadzic, de 64 anos, indicou que pretende assumir todas as responsabilidades pelas decisões que tomou enquanto líder, prometendo apresentar boas provas. O homem que ficou conhecido como o “carniceiro dos Balcãs” é atualmente acusado de mais de uma dezena de crimes contra a humanidade, de guerra e genocídio, pelos massacres de civis muçulmanos nos anos da guerra. Em 1991, os muçulmanos eram 43% da população, os sérvios 31% e os croatas 17%.

O ex-líder sérvio-bósnio, detido em Belgrado em 2008 após 13 anos passados em fuga, acusa os muçulmanos de quererem instaurar um estado islâmico no território da Bósnia-Herzegovina, com o apoio dos ocidentais. “Eles tinham um objetivo islâmico. Queriam 100% do poder como tinham no tempo do Império Otomano. Eles queriam um estado islâmico”

Karadzic acusa os muçulmanos de terem forjado massacres para depois culparem os sérvios, dando como exemplo o ataque a um mercado durante o cerco de Sarajevo, em 1994, com 70 mortos. O réu exibiu uma fotografia do mercado vazio pouco antes do ataque e disse que os corpos que ali apareceram foram levados pelos muçulmanos bósnios. Estes deram depois o alarme e o massacre passou como mais um episódio da limpeza étnica feita por sérvios. “Não houve matança possível desde as posições sérvias. Manter estas mentiras em tribunal é como se a guerra ainda não tivesse terminado”, avisou.

O sérvio acusa a Alemanha, “o inimigo da Sérvia na Segunda Guerra Mundial”, de ter levado à guerra civil ao incitar à secessão bósnia da Jugoslávia. Até citou o ex-primeiro-ministro holandês, Ruud Lubbers, para reforçar os seus argumentos. “O Governo alemão estava a pressionar para o reconhecimento contra a resistência de outros países europeus e o resultado foi catastrófico”, terá dito Lubbers em 1991, referindo-se ao reconhecimento da independência unilateral da Croácia e da Eslovénia.

No capítulo dedicado ao envolvimento dos ocidentais, Karadzic voltou a afirmar que, em 1996, fez um acordo com o diplomata americano Richard Holbrooke, então mediador no conflito bósnio, o qual prometeu que ele não seria perseguido caso deixasse a vida pública e política. Holbrooke sempre negou a existência do acordo.

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